Colostomia: como lidar com as emoções depois da cirurgia

Psicóloga Célia Cortez com a equipe multiprofissional na campanha Maio Roxo de conscientização sobre Doenças Inflamatórias Intestinais

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A colostomia — assim como a ileostomia e a urostomia — salva vidas. Mesmo assim, acordar depois da cirurgia com uma bolsa coletora no abdômen costuma ser um impacto grande. Como psicóloga hospitalar, acompanho pessoas nesse momento e sei que, além dos cuidados práticos, há muito a ser cuidado do lado emocional.

O que é ostomia?

Ostomia é uma abertura feita por cirurgia para criar um novo caminho de saída das fezes ou da urina. Na colostomia, a abertura é feita no intestino grosso; na ileostomia, no intestino delgado; e na urostomia, no sistema urinário. Ela pode ser temporária ou definitiva, e é indicada em situações como câncer de intestino, doenças inflamatórias intestinais (como doença de Crohn e retocolite), traumas e outras condições.

Sentimentos comuns depois da cirurgia

Cada pessoa reage de um jeito, e todos os sentimentos são legítimos. É comum sentir:

  • Choque, tristeza ou sensação de perda
  • Vergonha e medo de que os outros percebam a bolsa, o barulho ou o odor
  • Medo de vazamentos em público
  • Raiva ou revolta com a doença e a cirurgia
  • Insegurança sobre o futuro, o trabalho e os relacionamentos
  • Alívio, em alguns casos, por estar livre de sintomas da doença

Imagem corporal e autoestima

A mudança no corpo pode afetar a forma como a pessoa se vê. Olhar para o estoma, tocar, aprender a trocar a bolsa — cada passo faz parte de um processo de adaptação que tem seu próprio ritmo. Falar sobre isso com um profissional ajuda a atravessar esse processo com menos solidão e mais acolhimento.

Vida social, trabalho e lazer

Muitas pessoas com ostomia voltam a trabalhar, viajar, praticar atividades físicas e sair com amigos. O medo de situações sociais é compreensível no começo, e pode ser trabalhado aos poucos, junto com as orientações práticas do estomaterapeuta sobre equipamentos e cuidados.

Sexualidade e relacionamentos

Dúvidas sobre intimidade e sexualidade são muito frequentes e, muitas vezes, ficam sem espaço para serem faladas. Na psicoterapia, esse tema pode ser abordado com tranquilidade — individualmente ou, quando faz sentido, envolvendo o parceiro ou a parceira.

E a família?

Familiares também podem se sentir inseguros, com medo de “fazer algo errado” ou sem saber como ajudar. Orientação e escuta para a família fazem diferença na adaptação de quem passou pela cirurgia.

Direitos da pessoa com ostomia

No Brasil, a pessoa com ostomia tem direito a receber gratuitamente pelo SUS as bolsas coletoras e os adjuvantes de proteção da pele, conforme a Portaria SAS/MS nº 400/2009, nos serviços de atenção à saúde das pessoas ostomizadas. A ostomia também é reconhecida como deficiência física pelo Decreto nº 5.296/2004, o que garante direitos previstos no Estatuto da Pessoa com Deficiência. Informe-se no serviço de referência do seu município.

Quando procurar apoio psicológico

O apoio psicológico pode ajudar em qualquer fase — antes da cirurgia, logo depois ou meses mais tarde. Vale procurar ajuda especialmente quando a tristeza, a vergonha ou o medo estão impedindo a pessoa de sair de casa, de trabalhar, de se relacionar ou de cuidar de si.

Atendimento em Santo André e on-line

Apoio psicológico para pessoas com ostomia

A psicóloga Célia Cortez (CRP 06/27354) atende no Centro de Santo André e on-line para adultos.

Perguntas frequentes

É normal ficar triste depois de fazer uma colostomia?

Sim. Tristeza, medo e vergonha são reações comuns a uma mudança grande no corpo. Com o tempo e apoio adequado, muitas pessoas se adaptam bem.

A ostomia é sempre definitiva?

Não. Algumas ostomias são temporárias e podem ser revertidas em uma nova cirurgia, conforme avaliação médica.

Consigo atendimento psicológico on-line?

Sim. Para adultos, o atendimento pode ser on-line, o que ajuda especialmente nas primeiras semanas após a cirurgia.

Psicóloga Célia Cortez
Célia Cortez · Psicóloga, CRP 06/27354
Psicóloga clínica, educacional e hospitalar há mais de 40 anos, com atuação no Hospital Heliópolis e no Hospital Israelita Albert Einstein. Atende no Centro de Santo André e on-line. Conheça a trajetória.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de crise ou sofrimento intenso, ligue 188 (CVV, 24 horas) ou procure o pronto-socorro mais próximo.