A colostomia — assim como a ileostomia e a urostomia — salva vidas. Mesmo assim, acordar depois da cirurgia com uma bolsa coletora no abdômen costuma ser um impacto grande. Como psicóloga hospitalar, acompanho pessoas nesse momento e sei que, além dos cuidados práticos, há muito a ser cuidado do lado emocional.
O que é ostomia?
Ostomia é uma abertura feita por cirurgia para criar um novo caminho de saída das fezes ou da urina. Na colostomia, a abertura é feita no intestino grosso; na ileostomia, no intestino delgado; e na urostomia, no sistema urinário. Ela pode ser temporária ou definitiva, e é indicada em situações como câncer de intestino, doenças inflamatórias intestinais (como doença de Crohn e retocolite), traumas e outras condições.
Sentimentos comuns depois da cirurgia
Cada pessoa reage de um jeito, e todos os sentimentos são legítimos. É comum sentir:
- Choque, tristeza ou sensação de perda
- Vergonha e medo de que os outros percebam a bolsa, o barulho ou o odor
- Medo de vazamentos em público
- Raiva ou revolta com a doença e a cirurgia
- Insegurança sobre o futuro, o trabalho e os relacionamentos
- Alívio, em alguns casos, por estar livre de sintomas da doença
Imagem corporal e autoestima
A mudança no corpo pode afetar a forma como a pessoa se vê. Olhar para o estoma, tocar, aprender a trocar a bolsa — cada passo faz parte de um processo de adaptação que tem seu próprio ritmo. Falar sobre isso com um profissional ajuda a atravessar esse processo com menos solidão e mais acolhimento.
Vida social, trabalho e lazer
Muitas pessoas com ostomia voltam a trabalhar, viajar, praticar atividades físicas e sair com amigos. O medo de situações sociais é compreensível no começo, e pode ser trabalhado aos poucos, junto com as orientações práticas do estomaterapeuta sobre equipamentos e cuidados.
Sexualidade e relacionamentos
Dúvidas sobre intimidade e sexualidade são muito frequentes e, muitas vezes, ficam sem espaço para serem faladas. Na psicoterapia, esse tema pode ser abordado com tranquilidade — individualmente ou, quando faz sentido, envolvendo o parceiro ou a parceira.
E a família?
Familiares também podem se sentir inseguros, com medo de “fazer algo errado” ou sem saber como ajudar. Orientação e escuta para a família fazem diferença na adaptação de quem passou pela cirurgia.
Direitos da pessoa com ostomia
No Brasil, a pessoa com ostomia tem direito a receber gratuitamente pelo SUS as bolsas coletoras e os adjuvantes de proteção da pele, conforme a Portaria SAS/MS nº 400/2009, nos serviços de atenção à saúde das pessoas ostomizadas. A ostomia também é reconhecida como deficiência física pelo Decreto nº 5.296/2004, o que garante direitos previstos no Estatuto da Pessoa com Deficiência. Informe-se no serviço de referência do seu município.
Quando procurar apoio psicológico
O apoio psicológico pode ajudar em qualquer fase — antes da cirurgia, logo depois ou meses mais tarde. Vale procurar ajuda especialmente quando a tristeza, a vergonha ou o medo estão impedindo a pessoa de sair de casa, de trabalhar, de se relacionar ou de cuidar de si.
Atendimento em Santo André e on-line
Apoio psicológico para pessoas com ostomia
A psicóloga Célia Cortez (CRP 06/27354) atende no Centro de Santo André e on-line para adultos.
Perguntas frequentes
É normal ficar triste depois de fazer uma colostomia?
Sim. Tristeza, medo e vergonha são reações comuns a uma mudança grande no corpo. Com o tempo e apoio adequado, muitas pessoas se adaptam bem.
A ostomia é sempre definitiva?
Não. Algumas ostomias são temporárias e podem ser revertidas em uma nova cirurgia, conforme avaliação médica.
Consigo atendimento psicológico on-line?
Sim. Para adultos, o atendimento pode ser on-line, o que ajuda especialmente nas primeiras semanas após a cirurgia.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de crise ou sofrimento intenso, ligue 188 (CVV, 24 horas) ou procure o pronto-socorro mais próximo.

